sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Entidades de direitos humanos denunciam mais uma morte no campo

Foto: Reprodução da Internet
Entidades de direitos Humanos denunciaram através de nota pública o assassinato do presidente da Associação Terra Nossa, RONAIR JOSÉ DE LIMA, ocorrido no dia 04 de agosto de 2016. Segundo a Nota, o crime aconteceu no interior do Complexo Divino Pai Eterno, zona rural de São Félix do Xingu, sul do Pará. Ronair já havia recebido diversas ameaças de morte por parte de fazendeiros da região desde que assumiu a presidência da associação.

Além da morte de Ronair, na área já foram assassinados outros cinco trabalhadores rurais, de acordo com dados da CPT-Marabá: Rogério de Jesus Ferreira (2010), membro da Associação Novo Oeste e ocupante do Complexo Divino Pai Eterno; Jocelino Braga da Silva (2010), membro da Associação Novo Oeste e ocupante do Complexo Divino Pai Eterno; Francisco Leite Feitosa (2011), membro da Associação Novo Oeste e ocupante do Complexo Divino Pai Eterno; Félix Leite dos Santos (julho de 2014), vice-presidente da Associação Novo Oeste e ocupante do Complexo Divino Pai Eterno; Osvaldo Rodrigues Costa (2015), foi assassinado na recente ação de pistoleiros deflagrada na área de ocupação da Fazenda Divino Pai Eterno, ocorrida no dia 06/novembro/2015.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), já foram encaminhadas pedidos de providências, em relação à morte do trabalhador rural, à Ouvidoria Agrária Nacional, à procuradoria do INCRA, ao Ministério Público e demais órgãos competentes, além de denunciar a situação a outras organizações da sociedade civil, que atuam na proteção de direitos humanos.

Veja a NOTA na íntegra:


NOTA PÚBLICA: RELATOS DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA
Ronair José de Lima / Foto: Reprodução da Internet
Na manhã desta quinta-feira, 04 de agosto de 2016, RONAIR JOSÉ DE LIMA (41 anos), presidente da Associação Terra Nossa foi morto em uma emboscada ocorrida no interior do Complexo Divino Pai Eterno, zona rural de São Félix do Xingu. Mesmo ferido ele conseguiu evadir-se do local recebendo posteriormente o apoio de outro trabalhador rural, também residente no Acampamento. Após atendimento breve prestado pelo posto de saúde da Vila Sudoeste, a vítima foi encaminhada por aeronave para melhor atendimento na sede do Município. Em razão dos ferimentos que atingiram a região do tórax, Ronair faleceu por volta das 15:00hs, deixando viúva a esposa e dois filhos.
Conforme denunciado frequentemente pela Comissão Pastoral da Terra, esse não é o primeiro atentado praticado contra Ronair. Desde que assumiu o cargo de Presidente da Associação, a liderança foi constantemente ameaçada pelos fazendeiros que se dizem proprietários do Complexo e seus pistoleiros. Além das inúmeras ameaças, Ronair já havia sido vítima de tentativa de homicídio praticada contra sua pessoa, no dia 27 de fevereiro do corrente ano.
Durante os mais de 10 [dez] anos de ocupação, sem que haja uma solução definitiva para o conflito ali instalado, o Complexo Divino Pai Eterno tem sido palco dos mais diversos crimes praticados contra trabalhadores/as rurais e suas lideranças, dentre os quais relacionamos: Ameaças de morte, lesão corporal, tentativas de homicídio e homicídios consumados. No contexto deste conflito fundiário, os grileiros que se intitulam proprietários de terras - que na verdade são públicas federais – são considerados mandantes dos crimes de pistolagem ocorridos na área e continuam impunes reincidindo em ações cada vez mais violentas e escandalosas.
Esses são relatos de uma tragédia anunciada, onde mais uma vez os órgãos públicos com poderes para tanto, não agiram no intuito de evitá-la. O nome de RONAIR JOSÉ DE LIMA soma-se então, aos mais de 530 trabalhadores/as rurais assassinados em decorrência dos conflitos agrários ocorridos no sul e sudeste paraense.
Manifestamos, por fim, nossa absoluta revolta e indignação diante do grave estado de violência instalado no campo paraense, sobretudo em relação à precariedade das investigações policiais e o alto índice de impunidade verificado, exigindo que haja a devida punição aos mandantes e executores dos crimes ocorridos no Complexo Divino Pai Eterno.
Assinam a nota:
Comissão Pastoral da Terra Regional Pará - CPT
Federação dos Trabalhadores/as Rurais na Agricultura– FETAGRI
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST
Acampamento Novo Oeste e Associação Terra Nossa, SFX/PA
Conselho Indigenista Missionário Regional Norte 2 - CIMI
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos- SDDH
Terra de Direitos
Laboratório de Justiça Global e Educação em Direitos Humanos na Amazônia – LAJUSA
Comissão de Direitos Humanos da OAB Pará
Comissão de Direitos Humanos da OAB Xinguara/PA
Instituto Paulo Fonteles
Liga dos Camponeses Pobres no Pará - LCP
Movimentos Sociais Educação e Cidadania na Amazônia - GMSECA
Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade-Pará (MMCC-PA)
 





terça-feira, 12 de julho de 2016

Nota de pesar - Cláudia Pojo: um ícone de luta

Crédito da imagem: reprodução de arquivo pessoal
A militante Cláudia Pojo, reconhecida pela sua luta em defesa dos índios, negros, mulheres, das crianças e jovens em situação de risco, da agricultura sustentável e também pela Amazônia e por justiça aos pequenos produtores rurais, faleceu nesta segunda-feira (11). O corpo de Cláudia está sendo velado desde ontem na Igreja dos Capuchinhos. A SDDH solidariza-se com amig@s e familiares de Cláudia Pojo, que foi um exemplo de mulher e guerreira para todos nós.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Dois programas de rádio e tevê colocam Belém como a quarta cidade que mais viola leis, normas e direitos da pessoa humana na mídia brasileira.

Dona Silva, que não quis se identificar, preferiu não processar as emissoras que veicularam indevidamente a imagem do filho. A luta da família é pela condenação dos assassinos. 
(FOTO: Kleyton Silva)
 
Por Kamilla Santos
Residente na Marambaia há mais de 30 anos, a família Silva teve o filho caçula brutalmente assassinado. Na casa da família, muitas fotografias e lembranças do jovem de apenas 19 anos, que foi morto, em outubro do ano passado, em um acerto de contas por um crime que não cometeu. De acordo com a mãe do rapaz, que prefere não se identificar, o adolescente morreu no lugar de outros dois amigos, que estavam devendo dinheiro a um traficante da área em que residem. O assassinato do jovem seria uma punição por ter apresentado os amigos ao traficante local.

A mãe relata que os cinco criminosos levaram o adolescente para um cativeiro, amarraram as mãos dele para trás e começaram a torturá-lo. “Bateram nele com tábua, com corrente, soco, pontapé, pedra, tijolo e o meu filho foi massacrado nas mãos dessas cinco pessoas. Quando terminou essa tortura, eles pegaram o meu filho, jogaram dentro do porta-malas do carro e foram pra uma rua da Cabanagem. Jogaram ele dentro de uma vala e uma das pessoas pegou a pistola e deu três tiros na cabeça do meu filho. Uma delas era um amigo de infância, que cresceu junto com o meu filho e ele filmou tudo”, conta a mãe do jovem, ainda muito abalada, ao lembrar das cenas fortes gravadas do celular do próprio filho. O vídeo acabou sendo divulgado na internet e em todos os grupos no whatsapp do qual fazia parte.

Por mais de uma semana, o vídeo da tortura e assassinato do jovem, de apenas 19 anos, foi exibido em todos os canais televisivos de Belém. O caso ficou conhecido internacionalmente. “Você não tem noção do que é você ligar a televisão e ver o seu filho ali. Pessoas que moram na França, meus parentes, viram o vídeo do meu filho implorando pela vida dele", desabafa a senhora Silva, que passou a não assistir mais televisão naquele período para não ter de assistir às cenas. “O que eu agradeço muito a Deus é que nenhuma dessas emissoras falou que mataram um traficante, um bandido, mataram um marginal, que ele teve o que mereceu”, conta a mãe, já que o seu pior medo era, além de ver o seu filho exposto para toda a população, que ele fosse chamado de criminoso.

Recentemente, em mais um caso de violação de direitos na mídia, o apresentador Joaquim Campos, do programa Cidade Contra o Crime, veiculado na Rede Brasil Amazônia de Televisão (RBATV), incitou a tortura como punição ao crime de assalto cometido por uma mulher. Segundo ele, no programa que foi ao ar no último dia 9 de junho, se ele encontrasse a mulher, “passaria com um caminhão por cima dela”. “O problema é esse pessoal dos direitos humanos que protege bandido. Essa prostituta deveria ser arrastada, cortada, violentada. Aí eu queria ver se ela ia continuar roubando pai de família”, disse. A declaração, que incita a violência contra a mulher, culminou em um Desagravo Público, impetrado pela comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Pará (OAB-PA).

No documento, a OAB-PA constata que, ao fazer uma breve pesquisa por vídeos na internet, há diversas violações das leis e incitação à violência. “Em outros vídeos resgatados do YouTube, o apresentador, além de violar as prerrogativas de todos os advogados que militam nos Direitos Humanos no Pará, incentiva seus telespectadores a fazerem o mesmo”, destaca o desagravo. André Leão, um dos integrantes da comissão de direitos humanos da OAB-PA informou que "até o presente momento não obtivemos nenhuma resposta (sobre as denúncias no desagravo), mas estamos aguardando".

Para ler a matéria na íntegra clique AQUI
 
 
Fonte: Outros 400