quarta-feira, 18 de junho de 2014

Jornalistas lançam canal online sobre segurança pública, justiça e direitos humanos

Por Pública

Na próxima semana entra no ar o site Ponte, uma iniciativa de jornalismo independente com foco em segurança pública, justiça e direitos humanos.

O novo site é produzido por 20 jornalistas, entre eles Andre Caramante e Laura Capriglione, ex-repórteres da Folha de S Paulo, e Bruno Paes Manso, que mantém um blog sobre o tema no Estadão. O projeto tem apoio institucional da Agência Pública de Jornalismo Investigativo.

“A questão da segurança pública é o passaporte do futuro do Brasil”, explica Laura Capriglione. “É ela quem definirá, conforme sua resolução, se evoluiremos para uma sociedade de vingadores e linchadores, ou de garantia dos direitos essenciais para todos. Com a Ponte nós reafirmamos nossa aposta na democracia e no Estado Democrático de Direito".

André Caramante explica o diferencial do jornalismo feito pelo site: “Partimos do princípio de que a voz de um cidadão comum deve ter a mesma importância do que a de um governo, qualquer governo”.

"O jornalismo precisa cobrar a atenção e a correção permanente dos desvios cotidianos das nossas instituições, o que acaba inevitavelmente contrariando interesses. A rede de mais de 60 apoiadores será fundamental para dar respaldo social e político à Ponte", diz Bruno Paes Manso.

A iniciativa segue um modelo de produção jornalística baseado na formação de um coletivo de profissionais, unidos em torno de um projeto sem fins lucrativos e independente, sem nenhum tipo de filiação partidária. "A proposta de um coletivo está essencialmente ligada às novas tecnologias, é um modelo filho do 'agregar e compartilhar'”. diz Claudia Belfort, ex-editora-chefe de digitais do Estadão.

O site, com atualização diária, trará reportagens, vídeos e denúncias sobre o tema, que norteia as carreiras de todos os jornalistas envolvidos. Também fazem parte da Ponte: Caio Palazzo, Fausto Salvadori Filho, Gabriel Uchida, Joana Brasileiro, Maria Carolina Trevisan, Marina Amaral, Milton Bellintani, Natalia Viana, Paulo Eduardo Dias, Rafael Bonifácio, Tatiana Merlino e William Cardoso.

Institucionalmente, a Ponte nasce aliada à Agência Pública de Jornalismo Investigativo, uma organização sem fins lucrativos pioneira no Brasil cuja missão é produzir e promover o jornalismo investigativo. A Pública oferece apoio institucional e estrutura, como incubadora inicial do projeto. “O lançamento da Ponte acontece num momento em que o modelo comercial do jornalismo tem dado mostras de desgaste, e os próprios jornalistas têm liderado a criação de novos modelos”, diz Natalia Viana, diretora de estratégia da Pública.

Além disso, mais de 60 organizações e pessoas ligadas à área de Direitos Humanos apoiam o lançamento da Ponte.

--

Por que construir a Ponte?

por Marina Amaral, Natalia Viana | 17 junho, 2014

Na próxima semana entra no ar a Ponte, um novo canal sobre Segurança Pública e direitos humanos, com apoio da agência Pública

Difundir o jornalismo de qualidade pautado pelo interesse público é a missão da agência Pública desde sua fundação, em 2011. É também esse princípio que move a nossa primeira iniciativa como incubadora de um projeto de jornalismo independente: o site A Ponte, dedicado à segurança pública, direitos humanos e justiça, idealizado por nós e grandes repórteres da área, como André Caramante, Bruno Paes Manso e Laura Capriglione.

No manifesto de lançamento desse novo canal de informação estão expressas as convicções que fundam o projeto:

- “é inadmissível que a população tenha (com razão tantas vezes) pavor da tropa policial;

- “é inaceitável as cadeias e presídios consumirem orçamentos bilionários para impor aos apenados tortura, dor, sofrimento e morte;

- “é incompatível com uma sociedade moderna um Judiciário frequentemente tão injusto: vingativo contra os pobres e oprimidos; leniente com os privilegiados”.

E é essa realidade que a Ponte pretende expor e combater, rompendo “com a visão – presente tanto no jornalismo como nas políticas de segurança pública – que privilegia o centro sobre a periferia e o asfalto sobre o morro -, produzindo“reportagens que honrem a verdade”, com “independência absoluta, honestidade e autocrítica”.

O papel da Pública como incubadora do projeto é o de estruturar a iniciativa do ponto de vista institucional, contribuindo com a experiência acumulada nesses anos para consolidar e comunicar esse lançamento tão importante para o jornalismo brasileiro – tanto do ponto de vista da investigação desses temas urgentes e de interesse da população como da criação de mais um pólo de jornalismo independente, tendo os repórteres como protagonistas.

Do ponto de vista editorial, as diretoras da Pública, Marina Amaral e Natália Viana, participam como jornalistas que compõem o conselho que define pautas, e outros conteúdos de publicação, sempre dentro do maior rigor técnico e ético que constituem um patrimônio comum.

Para todos os nossos amigos, colaboradores e leitores desejamos que aproveitem essa iniciativa que promete trazer grandes e importantes reportagens, e que nos ajudem a divulgá-la para que essa nova visão de segurança pública e justiça se espalhe pelo país e norteie outras políticas públicas, outras reações da sociedade, e – por que não? – novas maneiras de fazer jornalismo.