sábado, 23 de maio de 2015

"Salve o Solar da Beira", clama um dos prédios mais antigos de Belém do Pará

Foto: Mara Hermes / Reprodução da Internet
Há mais de 15 dias um grupo de jovens ocupa um dos prédios mais antigos de Belém: o Solar da Beira, mais conhecido, nos últimos dias, como "Solar das Artes",  pelas diversas intervenções culturais e sociopolíticas que têm recebido. De acordo com os ocupantes, um "espaço de experimentação, encontro e compartilhamento", como afirmam em sua 1ª Carta/Manifesto Aberta, está sendo promovido com a ação de quem está cansado do abandono por parte do poder público.

Os jovens afirmam que esta não é a primeira ocupação, uma vez que o espaço já é usado (sem nenhuma condição de respeito e dignidade à vida humana) por diversos trabalhadores que atuam nos arredores do Ver o Peso, além de servir de abrigo para moradores de rua e dependentes químicos. "Escolhemos o Solar da Beira, emblema da falência da administração pública, para representar também a ausência das políticas culturais dos governos estadual e municipal de Belém. Estamos construindo neste espaço, com nossos corpos e pensamentos, sem patrocínio ou qualquer ajuda de custo de instituições, a cidade que queremos, assim como transformando o local negligenciado em um espaço livre para cultura (...)", afirma o manifesto.

Segundo Nota divulgada na Fanpage dos organizadores da ação, na manhã deste sábado (23), a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria de Economia (Secon), tentou impedir as atividades dos ocupantes no Solar da Beira. "Um grupo de músicos de rua foram impedidos de tocar no térreo do prédio. Funcionários da Secon alegaram que precisávamos de uma autorização para realizar a apresentação no local, sendo que temos uma autorização emitida pela própria secretaria. Uma das justificativas alegadas por eles foi de que a autorização que temos permite a realização de atividades apenas no piso de cima, no entanto isso não está especificado no documento." (Clique AQUI e leia a nota na íntegra).

A equipe do Jornal Resistência esteve no prédio e registrou a degradação que o espaço público está sofrendo com a ação do tempo e do descaso dos gestores. "A ocupação do Solar é um movimento de convivência política e artística. Este é um espaço simbólico. Carrega consigo a história de Belém. Não pode ser esquecido e destinado à qualquer intervenção da administração pública, sem a consulta da população", afirma uma das ocupantes. De acordo com informações dos organizadores da intervenção política e cultural no prédio, já foi protocolado, no Ministério Público do Estado, o pedido de uma audiência pública para discutir o abandono do Solar da Beira. 

Enquanto a data da audiência não é definida os ocupantes não pretendem arredar o pé do Solar das Artes, que receberá programações culturais e também Aulas públicas sobre questões sociopolíticas, durante o período desta intervenção. É importante salientar  que os ocupantes não são ligados a nenhum partido político, tão pouco fazem parte de um coletivo ou algo do tipo. São apenas "residentes de todas as ruas", paraenses cansados do descaso e da não efetivação do que é o dispensável para o que é o certo, o que é fundamental para todo cidadão paraense e brasileiro.


  • Leia a 1ª  Carta/Manifesto Aberto sobre a Ocupação do Solar AQUI;

  • Leia a 2ª  Carta/Manifesto Aberto sobre a Ocupação do Solar AQUI.


VEJA A PROGRAMAÇÃO PARA ESTE DOMINGO (24/5):
  


ANTES DA OCUPAÇÃO:


Fotos: divulgação/arquivo pessoal de um dos ocupantes




O ABANDONO DO PRÉDIO:













DEPOIS DA OCUPAÇÃO:

 










ASSISTA O VÍDEO DE CONVOCAÇÃO DA OCUPAÇÃO