quinta-feira, 9 de julho de 2015

MST ocupa área ociosa e degradada em Mosqueiro

Foto: Jean Brito
Cerca de 90 famílias que integram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupam uma área de aproximadamente mil hectares, situada na entrada do distrito de Mosqueiro, na capital paraense. A área, onde o MST construiu o Acampamento Terra Cabana, já foi ocupada anteriormente, alguns anos atrás, por outros movimentos, ligados à luta por acesso a moradia. O movimento ocupou a área pelo fato desta não está cumprindo com a sua função social, pois estava abandonada e ociosa, não havia qualquer plantação ou criação de animais.

"Estamos lutando por um pedaço de chão. Se tivéssemos um lugar para morar não estaríamos aqui. Nós queremos usar este pedaço de chão para criar animais e plantar. Queremos trabalhar na terra para ter o nosso próprio sustento. Não somos criminosos como a imprensa mostra Brasil a fora", desabafa um dos agricultores e ocupante da área. 

Os ocupantes chegaram na área no dia 26 de junho e denunciam que, desde então, são ameaçados por policiais militares que sempre aparecem com viaturas sem placas, alegando que existe uma reintegração de posse para desocupar o terreno. Mas até o momento nenhum oficial de justiça foi até o local.

Segundo os ocupantes, outro episódio lamentável foi a negligência por parte de alguns Policiais Militares que se recusaram em prestar socorro para um militante do MST que estava passando mal, no último domingo (5). Ao saber que se tratava de alguém do acampamento Terra Cabana, os militares disseram que não iriam ligar para o SAMU.  



Acampados denunciam degradação ambiental na área de ocupação

Logo na entrada do acampamento se pode ver uma grande área com o solo completamente degradado, com fortes danos ambientais provocados por extração de piçarra, que não se sabe ao certo se é feita de  forma legal. Isso indica que pode haver fortes indícios de crimes ambientais na área.  

Tratores e caminhões realizam a retirada de terra do espaço diariamente. Aparentemente já foram derrubadas diversas árvores para poder fazer a extração de terra da área. A ação pode prejudicar o solo, uma vez que toda a parte da cobertura verde é extraída, provocando erosões e rebaixamento dos níveis do lençol freático. 


Imagem da área degrada por extração de piçarra. FOTO: Jean Brito

Imagem da área degrada por extração de piçarra. FOTO: Jean Brito
Imagem da área degrada por extração de piçarra. FOTO: Jean Brito
A luta pela reforma agrária e pelo desenvolvimento agroecológico

As áreas ocupadas por famílias sem terra sempre tem uma característica comum, geralmente não cumpre com sua função social e são muito degradadas ambientalmente, seja por extrações ilegais ou por áreas onde a floresta foi substituída pelo capim. Depois de ocupar estas áreas, as famílias passam a cultivá-la com a execução de projetos de manejo florestal sustentável, ou seja, processos que ajudam no sustento das famílias sem desequilibrar o meio ambiente, baseados no princípio da agroecologia, que é uma nova forma de pensar o desenvolvimento no espaço rural. 

Mas esta luta, que não é somente pelo acesso à terra, mas por um novo desenvolvimento no campo, vai de encontro aos interesses dos grandes empresários do agronegócio. É por esta razão que há constantes tentativas de criminalização do movimento por parte da grande imprensa, que sempre estão alinhados na defesa dos interesses destes grandes empresários.

Há anos se discute a importância de ser realizada uma reforma agrária no país. Na Amazônia, conflitos agrários entre colonos e grandes latifundiários é a causa da morte de muitas pessoas que precisam de um pedaço de terra para morar, plantar e viver. 

O MST hoje defende uma Reforma Agrária Popular, que compreende o acesso à terra aos milhares de famílias sem terra e a produção de alimentos saudáveis para a população urbana. Compreende que a reforma agrária não é mais somente uma luta de trabalhadores rurais sem terra, mais é uma urgência de toda a sociedade brasileira que precisa combater as desigualdades sociais, socializar suas riquezas e repensar o desenvolvimento. 

Por isso, para o movimento pensar a política de reforma agrária significa pensar na educação, cultura, produção em equilíbrio com o meio ambiente, etc.  A organização e o coletivo são focos do movimento que apenas luta pelos direitos que lhes são negados.