terça-feira, 27 de outubro de 2015

Dia 30 de outubro tem 1º Acampamento Estadual do Levante Popular da Juventude


De 30 de outubro a 2 de novembro, Belém vai receber o Primeiro Acampamento Estadual do Levante Popular da Juventude, que será instalado na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). O alojamento será nas quadras da universidade, que ficam próximas ao Ginásio da UFRA. Também terá uma Ciranda - um espaço pedagógico para as crianças. Abaixo leia a entrevista Ping-Pong que fizemos com o Breno Cavalcante, integrante do Levante. Ele nos conta o objetivo do evento e também fala um pouco sobre o que é o movimento.



Resistência Online: Qual é o objetivo do acampamento?

Breno Cavalcante: Consolidar e ampliar a militância do Levante no Estado do Pará. O Levante é um movimento social, e organiza-se a partir de três frentes: a estudantil (universidade e secundaristas, das redes pública e privada); a territorial (jovens da periferia dos centros urbanos) e a camponesa (junto aos movimentos sociais da Via Campesina). Atuamos na perspectiva do trabalho de base, da educação popular e da construção do Projeto Popular para o Brasil.

Por meio de espaços de formação política, o Acampamento pretende elevar o nível de consciência crítica dos jovens que já estão organizados, mas também quer chegar nos outros jovens, que estão conhecendo o movimento e ainda não enxergaram a necessidade de se organizar para resolver os problemas que nos oprimem cotidianamente.

Queremos, com esse Acampamento, aprofundar o entendimento sobre as bandeiras do Levante, a importância do enfrentamento às opressões através da auto-organização, o necessário debate da redução da maioridade penal, que vem se tornando cada vez mais possível com a atual conjuntura de ascenso do Conservadorismo no Congresso, e, fundamentalmente, canalizar nossas forças para o debate da Constituinte Exclusiva e Soberana, para realizar a Reforma Política Popular, que acreditamos ser uma resposta à altura da difícil conjuntura que se impõe sobre o Brasil.

Nesse momento de crise política e de valores, dentro e fora da esquerda, queremos trabalhar os valores da coletividade, da solidariedade e do Amor ao Povo, para que possamos formar uma nova geração de lutadoras e lutadores comprometidos com a construção de um Projeto Popular para o Brasil.

Mas para construir essa nova sociedade, é preciso que nossos jovens trabalhem a identidade Cabana e valorizem a cultura popular paraense. Por isso, nossos espaços contarão com noites culturais, que terão o objetivo de mostrar essa diversidade cultural e promover o encontro dessa juventude com suas raízes.

Para dialogar com a juventude, o Levante tem como marca a Agitação e Propaganda, e utiliza os elementos que tem identificação nos jovens para comunicar as mensagens políticas que dizem respeito às contradições vividas em nosso dia-a-dia, especialmente pela juventude da classe trabalhadora. Com muita música, batucada, paródias, poesia, mística e alegria, queremos falar cara a cara com esse jovem e convencê-lo de que só a luta muda a vida, e que, me organizando, posso desorganizar! 




Resistência Online: Quantas pessoas são esperadas?

Breno Cavalcante: Nos últimos anos e meses, o Levante Popular da Juventude do Pará tem conquistado mais e mais mentes e corações para a luta popular. Estamos, atualmente, nos municípios de Ananindeua (região metropolitana), Belém, Bragança (nordeste paraense), Marabá e Parauapebas (sudeste paraense), Altamira e Brasil Novo (sudoeste paraense) e Santarém (oeste paraense), cobrindo todas as regiões do Estado.

Por meio desse enraizamento nos municípios, nossa intenção é colocar 500 jovens no Acampamento, e ampliar ainda mais a nossa militância nas localidades onde o Levante se organiza. Teremos ônibus vindos de várias localidade para trazer os jovens do nosso movimento, e também da juventude do MST e do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), que também estarão participando como acampistas e na Comissão Político-Pedagógica (CPP), que organiza as atividades durante o Acampamento.




Resistência Online: Quais serão as atividades?

Breno Cavalcante: Durante o Acampa acontecerão várias atividades de caráter político e cultural. No primeiro dia, iniciaremos com uma apresentação do Levante Popular da Juventude, falando como o movimento se organiza estadual e nacional. No dia 31, teremos um espaço sobre Análise de Conjuntura e Amazônia, para que os jovens se situem no debate e entendam melhor a realidade que se coloca para os lutadores e lutadoras do Povo. No mesmo dia, à tarde, faremos os espaços auto-organizados de mulheres, negros e negras e LGBTs, entendendo a importância do protagonismo dos sujeitos oprimidos na luta contra as opressões.

No dia seguinte, faremos um ato público na Terra Firme, que faz parte de uma atividade do Levante nacionalmente, chamada “Nós por Nós: Se eles lá não fazem, nós faremos por aqui”. Conversando com movimentos sociais e coletivos parceiros, como o Tela Firme, a Casa Preta entre outros, estamos planejando várias atividades de assistência junto à comunidade, na perspectiva de pautar a organização social onde as contradições do sistema em que vivemos são mais agudas, ou seja, nas periferias.

Além disso, discutiremos sobre a pauta da Memória, Verdade e Justiça, que foi a primeira grande bandeira do Levante, e na qual temos atuado diariamente na construção da Comissão “César Leite” de Memória e Verdade da UFPA e da Comissão Estadual da Verdade do Estado do Pará. Finalizando as atividades, facilitaremos várias oficinas, de turbante, captação de recursos, software livre, batucada, canto, teatro do oprimido, stencil, lambe-lambe, fotografia, entre outras.




Resistência Online: Quais as atrações culturais?

Breno Cavalcante: Todos os dias encerrarão com momentos culturais, com diversas atrações. Como dito anteriormente, um dos nossos objetivos é promover o encontro da juventude com suas raízes, com a cultural popular paraense, em toda a sua diversidade.

Na primeira noite, teremos B-boys e B-girls se apresentando com o Breakdance, seguidos de muito rap com a galera da Batalha de São Brás e o grupo R3. Além disso, durante toda a cultural, o DJ Morcegão vai agitar o espaço e mostrar porque é consagrado no movimento Hip Hop do Pará.

No segundo dia teremos vários nomes da música popular do nosso estado, como Rafael Lima. Em seguida, faremos um Sarau, onde os jovens de todo o Pará poderão fazer intervenções e leituras de poema, para alimentar a mística do nosso movimento e estimular a arte e a cultura dentro de cada jovem. A última cultural, no dia 1 de novembro, contará com bandas paraenses, como o Bloco Firme e o Chibé com Pandeiro, e também apresentações de carimbó e capoeira.