sábado, 27 de fevereiro de 2016

NegriAto pede fim do racismo e da violência institucional na UFPA

NegriAto começou no início da manhã e foi até às 21h, no hall da reitoria da UFPA / Foto: Danilo Leão


Ato contou com diversas ações culturais / Foto: Danilo Leão    
Atrações culturais foram das mais diversas no NegriAto / Foto: Danilo Leão
 Alun@s da Universidade Federal do Pará (UFPA) e jovens ligad@s a vários movimentos sociais e culturais, participaram do NegriAto, realizado quinta-feira (25), desde às 10 da manhã até às 21 horas, no hall da reitoria da universidade. O ato, organizado pelo coletivo Mulheres Negras em Rede, contou com intervenções artísticas, palestras e debates voltados às lutas dos movimentos negro e feminista, além de programação cultural diversificada. O que motivou a realização da ação foram os recentes episódios de violência e racismo institucional contra jovens negr@s da periferia e alun@s do curso de Serviço Social da UFPA.  

Há vários relatos de alun@s e jovens da periferia, que denunciam situações de racismo e violência institucional, cometidos por seguranças da UFPA. Ano passado, a jovem negra, moradora da periferia, mãe e militante do movimento afro, Sarah Neves, foi constrangida por seguranças da universidade e obrigada a se retirar de um evento cultural - o Rock Rio Guamá 2015- quando tentava prestigiar uma batalha de freestyle, acompanhada de sua filha (uma criança de menos de três anos que presenciou toda a agressão sofrida pela mãe) e por amigas, outras mulheres também negras.


A justificativa, por parte dos seguranças, foi que "aquele não era lugar para criança", segundo relatou Sarah. Ela também disse que a programação atrasou pelo fato de alguns artistas convidados pela coordenação do evento, em sua maioria jovens do movimento Hip Hop de Belém, foram barrados ao tentar ter acesso à UFPA para chegar até o local dos shows. Sarah denunciou a violação sofrida Ministério Público Federal que investiga o caso.

Os casos mais recentes de violência e racismo institucional ocorreram nesta semana, quando na última quinta-feira uma jovem tentou ter acesso à universidade para participar do NegriAto e foi barrada na portaria, e na última segunda-feira (22), onde as vítimas foram alun@s do curso de Serviço Social da própria instituição. (Para saber mais sobre este caso clique AQUI). Em sua maioria eram mulheres - incluindo uma jovem grávida de quatro meses - que sofreram agressões verbais e psicológicas. As estudantes ficaram muito abaladas. 

Diversos depoimentos enriqueceram os debates durante o ato / Foto: Danilo Leão
No NegriAto, uma delas desabafou: "Eu não estou conseguindo estudar e nem trabalhar. Fomos até a delegacia hoje de manhã, esperamos desde o começo do dia até o início da tarde para falar com a delegada e esta nos transferiu para um outro delegado. Ele (o delegado) perguntou três vezes se a gente tinha agredido algum segurança, mas em nenhum momento perguntou se nós tínhamos sofrido agressão". Segundo as estudantes, até o momento ninguém se manifestou sobre os fatos, nem mesmo a UFPA.  

"Eu peço encarecidamente que todos os alunos vítimas de violência ou algum tipo de constrangimento se manifestem. Não dá para ficar calados e aceitar um absurdo desse!", clamou outra aluna do curso de Serviço Social, que também estava no grupo que foi impedido de ter acesso à instituição, no dia 22. Os advogados Marco Apolo e Antonio Alberto que fazem parte da SDDH entraram com uma representação no MPF denunciando o caso de Sarah. Ainda sobre o caso de racismo institucional no Rock Rio Guamá 2015, Sarah Neves questiona: "Tinham outros jovens lá, porém, brancos, que também estavam acompanhados de crianças no evento, porque apenas eu e minhas amigas, que somos negras e da periferia, fomos obrigadas a nos retirar de um espaço que é público como é o caso da UFPA?". 

A Sociedade Paraense de Defesa de Direitos Humanos repudia qualquer postura de exclusão, violência e racismo. É inadmissível que, profissionais contratados para zelar pela segurança de alun@s, funcionários, servidores e usuários de um espaço público - como é o caso da UFPA-, provoquem constrangimentos e pratiquem atos supostamente criminosos, já que o racismo institucional é um tipo de violência e toda violência é um crime. É lamentável que mulheres e negr@s, sejam tratad@s com desrespeito, tendo os seus direitos de acessar um lugar que deveria ser plural e democrático, negados.